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Eu não podia voar.   Leave a comment

Eu não podia voar.

Eu não podia voar.

Uma das maiores decepções e frustrações da minha infância foi saber que eu não podia voar. Uma tristeza inconformada misturada com uma impotência revoltante que eu não queria aceitar. Em segredo, fiz mil e um testes para comprovar mesmo se era verdade que o ser humano não podia voar – eu não queria acreditar nisso. Porquê?? Se é tão bom, porque não podemos ter um prazer desse?

Daí, subi em muros, pulei e tentei dar impulsos. Corri bastante pra pegar impulso e conseguir voar… O máximo que consegui foi machucar o pé.

Comecei a estudar e com isso a história de que os ossos dos pássaros são pneumáticos e etc me tiraram a ilusão e me certificou que isso era um privilégio dos pássaros.

Logo após, vi que os aviões com tantas toneladas podiam voar tão rápido e tão alto. Voltei a questionar essa proibição da natureza, mas durou pouco, vi que não tinha jeito mesmo, motores, propulsão, combustão, etc, etc… Nunca gostei de física mesmo.

Passou mais um tempo, quando tinha uns 18 anos, aprendi a fazer relaxamento e comecei a ler sobre meditação e com isso novos mundos como viagens astrais, experiências fora do corpo estavam me dando uma outra chance. Lá estava eu de novo na minha busca pelo primeiro vôo.

Num tipo de relaxamento que aprendi, depois que o corpo está totalmente relaxado, você se imaginava voando por um caminho. Tentei, tentei, mas não consegui ter uma experiência de vôo satisfatória. Isso é um processo onde a prática constante traz resultados melhores a cada vez. Comecei a imaginar caminhos completos pela cidade como ir da minha casa até o trabalho 15 quilometros distante. Cada rua, visualizando todo o cenário perfeitamente, vendo tudo do alto, sentindo o friozinho da brisa da noite (que era quando eu voava), mantendo a concentração para não cair (às vezes quando me distraía, o vôo enfraquecia e parecia que ia cair), sentindo o cheiro… Foi o primeiro vôo e daí para frente fui fazendo novos caminhos.

Estranhamente, após essas experiências, comecei a sonhar que voava e era muuuuito mais gostoso, eu tinha o controle, me sentia muito bem e um detalhe a mencionar era que sempre voo à noite, até hoje. Hoje voo por capitais que conheço, visito pessoas ou simplesmente voo sem destino.

Nesses vôos, o sentimento é de liberdade, de privacidade e também, de poder por estar acima, intocado num silêncio que é meditativo. O ruim é quando às vezes, o vôo enfraquece por motivos que geralmente não sei e desço suavemente ao chão. Daí, tenho que ficar tentando, tentando, subo, desço e tento de novo até que consigo. Nos sonhos, parece que assim que entro, meu consciente acorda e começo a curtir como se fosse uma das minhas experiências de relaxamento acordado.

Talvez por isso, eu goste tanto da música I believe I can fly de R.Kelly. Veja a letra, você pode ouvir copiando o endereço gigante abaixo, colar no seu browser:
http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/player/frameset.php?opcao=umamusica&nomeplaylist=005045-3_05<@>1998_Grammy_Nominees<@>I_Believe_I_Can_Fly<@>Vários_Artistas<@>0523<@>R._Kelly<@>UNIVERSAL<@>MCA

Acima de tudo, aprendi que podemos voar em vários sentidos. Não falo de drogas ou qualquer tipo de artifício que nos tire de nosso estado natural, falo da busca pelo auto-conhecimento, por olhar para cima e ver Deus, Ele te leva, você fica leve e vai ao seu encontro, basta abrir as asas e crer.

Desejo o mesmo para você. Fique com Deus.

Publicado 18 de novembro de 2008 por uiles em Uncategorized

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